Esta
é a história da pequena Estela Holmes Parente, uma
grande vencedora na vida.
Atenção!
O texto a seguir foi escrito por um leigo. Peço desculpas
por algum possível erro ao descrever algum nome ou procedimento.
Em 14 de junho, às 08:58,
nasceu Estela Holmes Parente. Seus pais, inexperientes com sua primeira
filha, não repararam em nada fora do normal.
Estela tinha acompanhamento pediátrico
uma vez por mês. E no quarto mês, apareceu uma suspeita:
como ela não engordava e tinha a respiração
sempre ofegante, o pediatra sugeriu que os pais procurassem um outro
médico para ver se havia algum problema nos pulmões
ou no coração.
No dia 21 de outubro, Estela
foi consultada pelo cardio-pediatra dr. Francisco Chamié.
Após um rápido exame, ele pediu para que Estela fosse
sedada para uma análise mais cuidadosa. E o resultado desta
análise foi como uma bomba caindo: Estela tinha um gravíssimo
problema cardíaco congênito. Seu coração
só tinha um ventrículo. Não existe solução
para resolver este problema, existem paliativos: primeiro, uma cirurgia
chamada cerclagem, para diminuir a quantidade de sangue no pulmão;
segundo, uma cirurgia para "desligar" todo o sangue venoso
que vem da parte inferior do corpo do coração e "ligar"
direto no pulmão; terceiro, semelhante ao segundo, mas com
a parte superior do corpo. Dr. Chamié falou aos pais: "se
a Estela sobreviver até a segunda operação,
poderemos respirar aliviados. Mas, até lá,
serão os piores dias da vida de vocês".
E, infelizmente, o Dr. Chamié
estava certo.
No dia 28 de outubro, quinta
feira, Estela teve febre. Foi levada para uma clínica em
Botafogo, para ficar sob observação (sua primeira
operação seria realizada na semana seguinte). Depois
de um dia tranquilo na UTI, Estela foi transferida para o quarto.
E, no colo dos pais, teve uma convulsão que apavorou as enfermeiras,
voltando para a UTI.
Desta UTI, Estela foi transferida,
por ambulância, para o hospital Rio Mar, na Barra, direto
para a UTI neo natal, aos cuidados da dra. Sandra de Jesus. Nessa
entrada e saída de hospitais e UTIs, Estela pegou uma infecção
hospitalar. Mas seu estado era delicado, então não
dava para cuidar primeiro da infecção para depois
operar. A operação foi no dia 4 de novembro. Alguns
dias depois, Estela já estava se recuperando bem da operação,
mas ainda permaneceu vários dias na UTI para cuidar da infecção
hospitalar.
Foram meses de recuperação,
com fisioterapias respiratórias e motoras, e um cuidado especial.
Em janeiro, Estela fez um cateterismo, para saber como estava sua
situação. A segunda cirurgia foi marcada para o dia
9 de fevereiro.
A cerclagem é um procedimento
complicado de se fazer. O procedimento seguinte, chamado de Glenn,
é mais simples. Mas, se por um lado é mais simples,
por outro lado mexe com a circulação; ou seja, é
mais fácil de surgir alguma complicação.
Estela fez o Glenn no dia 9,
quarta feira. A cirurgia correu bem. A previsão é
que ela seria transferida da UTI para o quarto no sábado.
Mas na manhã de sexta feira, ao telefonarmos para a UTI para
saber como foi a noite, fomos informados que Estela não estava
bem. A pressão da artéria pulmonar não deixava
o sangue da veia cava descer, e Estela teve edema pulmonar e edema
cerebral. A equipe que a operou foi chamada para abrí-la
novamente. Era necessário fazer uma série de procedimentos.
Mas Estela não agüentou, e tiveram que fechá-la
do jeito que estava.
Fomos chamados para nos despedir
da Estela. Não havia mais nada a fazer por ela, a não
ser esperar que ela reagisse. A família e os amigos foram
chamados para o hospital. O que fazer? Sempre, em UTIs infantis,
os médicos recomendam aos pais para, à noite, irem
para casa descansar, pois afinal existe o dia seguinte. Pela primeira
vez, nos disseram para ficar. Chamamos a família e os amigos
mais próximos. Não sabíamos o que fazer.
De repente, dra. Sandra nos procurou
no estacionamento. "Estela reagiu! Podem ir para casa!"
Parecia um milagre. Depois daquilo tudo, finalmente Estela tinha
mostrado como é forte!
A recuperação foi
lenta, foram mais duas semanas se recuperando um pouquinho por dia.
Mas estávamos felizes, afinal a cada dia ela estava mais
perto de voltar para casa.
Ao voltar para casa, Estela ainda
estava muito fraca. Tanto que pegou uma pneumonia, e teve que ser
internada novamente na UTI. Mas logo
ela voltaria novamente para casa.
Felizmente, agora Estela está
muito bem de saúde. Ainda falta fazer uma cirurgia, mas não
sabemos quando. Estela está se consultando a cada seis meses
com o dr. Chamié, e fazendo ultrassons e cateterismos periodicamente.
Hoje, setembro de 2002, Estela
está com 3 anos e dois meses. Está na escolinha, no
Jardim 1. De vez em quando eu comento com algum pai sobre a condição
cardíaca dela, e sempre a reação é de
espanto - "como assim, ela é tão bem fisicamente,
tão esperta...". Estela tem uma irmã, Alice,
de um ano e quatro meses, que nasceu perfeita. As duas hoje são
tratadas de maneira exatamente igual.
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